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12.6.08

Assadores de castanhas

Uma das técnicas especializadas dos assadores de castanhas é precisamente dar um golpe na sua casca para não estalar e saltar em qualquer direcção durante a assadura.

A experiência de vida deveria ser traduzida na realidade política e na relação com as pessoas, mas é esquecida sobejas vezes, a título de exemplo, veja-se o recente acontecimento da grave dos camionistas, ainda no rescaldo.

A inépcia do Governo do Senhor José Sócrates primou pela arrogância do silêncio e da paralisação, sem actuação à altura de uma postura de estado.

É nestas alturas que se vê quem governa ou não e que deveria dar a cara para encontrar soluções.

A bem do povo e da nação, deveria ser o seu lema; "os políticos lá se vão governando", é o que o povo diz porque sabe, porque sente na pele que lhe arrancam pedaços no dia-a-dia, passados a álcool em loção de suavizar as penas.

Onde estava o Senhor José Sócrates e os seus esbirros agora, a fazer frente e face a face, perante aqueles motoristas que fazem mover a economia sobre rodas? Estes não devem os seus lugares e o seu trabalho aos favores políticos, nem se encontram sob as ameaças de pretensas reformas do poder político, qual espada de Démocles sobre o pescoço de funcionários públicos, professores e outros que são calados quando o estertor da falta de condições de vida lhes bate à porta.

A incompreensão da realidade dos motoristas de curso nacional e internacional, levou ao extremar de barreiras e a criar barricadas; a própria Associação ANTRAN prescindiu de fazer o seu papel, porque é representativa dos "grandes". Porquê? Simples e complexo: simples porque quem formou os piquetes foram os pequenos empresários, uma malha de inúmeros motoristas, que são proprietários de tractores e reboques, subcontratados pelas empresas de transportes, a braços com os leasings e as despesas, esmagados pelo peso de ter algum trabalho para fazer; complexo, porquanto a realidade da caída do poder no retalho dos pequenos, os motoristas que não se reviam nas posições da ANTRAN, levou à insustentabilidade política e económica, à situação de prisioneiro e refém da inércia de um ministro afirmar que "estava à espera do libelo dos piquetes de greve".

O saldo final quase levou a uma guerra civil, perdendo-se uma vida e havendo outros com recordações na carne.

Aprenderam alguma coisa? Sim, podemos constatar que resistiram à tentação de mandar os polícias e GNR bater nos motoristas.

Deveriam ter aprendido mais? Sim, quando lhes faltasse o pão à mesa, como já acontece a muitos portugueses com fome e miséria instalada em casa (a tuberculose está a aumentar, sabe o que isso significa, Senhor Primeiro Ministro José Sócrates?)

Valeu o preço? A perda de uma vida está para além de qualquer argumento falacioso.

Limpem agora o sangue que está derramado sobre as vossas cabeças e a responsabilidade de ministros ineptos, cuja opção pela fuga já habituou os portugueses, seguindo exemplos de anteriores executivos e tenham a hombridade de se demitirem, pois não deixam saudades!

Saiam de cabeça erguida, ainda e enquanto puderem, já que de memória para os portugueses, deixam um rasto de destruição silenciosa do país!

Semeiam ventos, hão-de colher tempestades: a borrasca só agora começou!

30.7.07

Que transparência?

Ficou conhecida a opinião - versão oficial do presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, sobre os profissionais das agências de comunicação, que devem ter um acesso ao Parlamento semelhante ao dos cidadãos.

Segundo o Exmº Senhor, "Há questões jurídicas que levam a não estender automaticamente aos funcionários destas empresas as condições de acesso permanente reservadas aos jornalistas parlamentares", declarou à Lusa, tendo ainda declarado que para as agências, "manter-se-á o acesso à Assembleia que existe para os cidadãos e para qualquer associação profissional, sindical ou empresarial".

Esta situação é gerada em Janeiro, quando Luís Paixão Martins, em nome da LPM, escreveu ao presidente da Assembleia, solicitando que fosse criado um sistema de acreditação parlamentar para os profissionais das agências, que permitisse "obterem uma informação mais fidedigna de todo o processo legislativo".

A YoungNetwork, algo tempo depois, também endereçou uma carta para que a Assembleia revisse os sistemas de acesso ao Parlamento e a Omnicom terá mostrado também semelhante interesse.

Na altura, o presidente da Assembleia assegurou que até ao final da sessão legislativa daria uma resposta aos pedidos das agências que permitiriam que passassem a ter um sistema de acesso semelhante ao dos jornalistas.

Luís Paixão Martins refere em texto escrito e no seu blog, que "a iniciativa teve o mérito de contribuir para colocar na agenda mediática o tema do lóbingue e das relações entre os legisladores e os grupos de influência".

Quando algo de qualitativamente transparente e diferente se esperava em relação à casa da Democracia Portuguesa no séc. XXI, eis que tudo volta ao obscurantismo da idade média com esta posição.

"Quem tem medo compra um cão", diz o povo com razão e se não se sabem defender das pressões políticas e de interesses às claras, é porque querem manter o sistema às escuras, "onde há fumo, há fogo", não?

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